Nem sempre os concertos mais memoráveis são os que correm perfeitamente. Às vezes basta uma falha, uma tempestade, um momento de tensão inesperado. E o que devia ser interrupção transforma-se em história.
Os Foo Fighters já passaram por isso várias vezes. Concertos interrompidos por problemas técnicos, clima ou segurança, mas quase sempre com a sensação de que o público estava disposto a ficar até ao fim acontecesse o que acontecesse. Há bandas que sobrevivem ao caos. Outras crescem dentro dele.
Também os Arctic Monkeys viveram atuações afetadas por tempestades e cortes inesperados em festivais. Luzes desligadas, pausas longas, público perdido entre frustração e adrenalina. Curiosamente, esses momentos acabam muitas vezes mais falados do que o concerto em si.
Num registo mais pesado, os Pearl Jam carregam uma das memórias mais difíceis da música ao vivo. O concerto em Roskilde, em 2000, terminou em tragédia após um acidente fatal na multidão. A banda ficou profundamente marcada. E durante muito tempo, subir a palco voltou a ter outro significado.
Até The Cure ficaram associados a atuações interrompidas pela chuva, quase como se o ambiente fizesse parte da própria música. Há qualquer coisa de cinematográfico num concerto que luta contra os elementos e continua mesmo assim.
O curioso é isto. Quando tudo corre demasiado bem, às vezes esquecemos rápido. Mas quando existe tensão, risco ou imprevisibilidade, a memória cola-se de outra forma.
Talvez porque, nesses momentos, o concerto deixa de ser apenas entretenimento.
Passa a ser experiência.


