Existem conversas que continuam a chegar tarde. Sobre o corpo, a intimidade, o prazer, o assédio ou simplesmente o direito de dizer não. É nesse território de silêncio que nasce “Fala Bem”, o novo single de Rita Redshoes, escrito por Cátia Mazari Oliveira, A garota não, e lançado a 17 de setembro.
O tema é o terceiro avanço de Fala, o sétimo álbum de Rita Redshoes, que chega às plataformas e lojas a 25 de setembro. Depois de “A Tua Trança”, da autoria de Márcia, e de “Não É Normal”, escrito por Cláudia Pascoal, a cantora prossegue um projeto construído a partir de canções inéditas de compositoras portuguesas.
Quando aquilo que não se diz também educa
“Fala Bem” parte de uma inquietação simples, mas difícil de resolver: o que acontece quando os adultos não encontram palavras para conversar com os mais novos sobre intimidade e sexualidade?
A garota não coloca essa questão a partir da experiência de quem cresceu num mundo onde a informação era escassa. Hoje, a informação está por todo o lado, mas isso não significa necessariamente conhecimento. A internet pode responder a perguntas, mas não substitui a conversa, o contexto ou a relação de confiança entre pais e filhos.
A canção chama também a atenção para a necessidade de falar sobre limites, consentimento e liberdade sem transformar essas conversas num território reservado apenas às raparigas. Pais e filhos, rapazes e raparigas, fazem parte da mesma aprendizagem.
Uma canção que encontrou Rita
Quando recebeu a composição de Cátia Mazari Oliveira, Rita Redshoes foi conduzida para uma memória da própria infância e, ao mesmo tempo, para uma preocupação muito presente na sua vida enquanto mãe.
É precisamente essa passagem entre memória e presente que dá outra dimensão à canção. “Fala Bem” não surge apenas como uma reflexão sobre a sociedade. Entra num disco em que Rita assume diferentes vozes femininas e lhes dá espaço através da sua própria interpretação.
Para a cantora, falar sobre temas sensíveis pode ajudar a que o processo de crescimento seja vivido com maior liberdade e respeito. E essa aprendizagem não termina nas meninas. Os rapazes também fazem parte dela, tanto pela forma como aprendem a relacionar-se com os outros como pela forma como compreendem o próprio crescimento.
“Fala” junta diferentes vozes

O novo álbum recupera uma ideia que Rita Redshoes já tinha explorado em The Other Women, espetáculo apresentado em 2012, dedicado a compositoras de diferentes partes do mundo. Desta vez, o olhar concentra-se exclusivamente em autoras nacionais.
A Rita convidou A garota não, Amélia Muge, Ana Bacalhau, Cláudia Pascoal, Marília Miranda Lopes, Francisca Cortesão, Joana Espadinha, Mafalda Veiga, Márcia e Margarida Campelo, com Ana Cláudia, para escreverem canções inéditas a partir de diferentes perspetivas sobre o universo feminino.
O resultado não procura uma única definição de mulher. O próprio conceito do álbum nasce da diversidade das vozes que o compõem e das experiências que cada autora transporta para a escrita.
“Fala Bem” acrescenta a esse conjunto uma canção que não procura tornar o assunto mais confortável. Pelo contrário, coloca a conversa onde ela muitas vezes deveria ter começado.
Um videoclipe com meninos e meninas
O videoclipe, realizado por Aurélio Vasques, acompanha essa ideia através da presença de meninas e meninos. O objetivo é reforçar visualmente a responsabilidade dos adultos no acompanhamento de quem está a crescer.
A imagem acompanha assim uma canção que fala de educação, mas também de atenção. Da necessidade de reconhecer fragilidades e criar espaço para perguntas antes que sejam procuradas respostas noutros lugares.
“Fala Bem” chega a 17 de setembro, poucos dias antes do lançamento de Fala. Rita Redshoes apresenta entretanto o novo trabalho em dois concertos especiais: a 24 de outubro, na Casa da Música, no Porto, e a 28 de outubro, no Teatro Maria Matos, em Lisboa.
