Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026
Editorial

Solex assinala 25 anos de Low Kick and Hard Bop com primeira edição em vinil

Por Beatriz Ambrósio 11 Set 2026

O álbum de 2001 chega pela primeira vez ao formato vinil e recebe uma edição digital expandida com 11 lados B e gravações ao vivo. A celebração inclui ainda o vídeo de “Mere Impostors” e o documentário de 35 minutos Solex vs. The Empty Bottle.

Vinte e cinco anos depois da sua edição original, Low Kick and Hard Bop regressa com uma operação de arquivo que vai muito além de uma simples reedição. O álbum de Solex, projecto da neerlandesa Elisabeth Esselink, chega agora ao vinil pela primeira vez e ganha uma versão digital expandida que recupera material adicional do período.

A nova edição acrescenta 11 lados B e gravações ao vivo, ampliando o retrato de uma fase particularmente importante na discografia de Solex. Ao mesmo tempo, o regresso do álbum é acompanhado por dois elementos audiovisuais: o vídeo de “Mere Impostors” e o documentário de 35 minutos Solex vs. The Empty Bottle.

O resultado é uma celebração que recupera diferentes dimensões de Low Kick and Hard Bop, desde as gravações de estúdio às versões alternativas e aos registos de palco.

Um álbum construído a partir da colagem

 

 

Quando Elisabeth Esselink começou a trabalhar como Solex, a sua música rapidamente se distinguiu pela forma como utilizava o sampling e a montagem como ferramentas de composição.

A música de Solex não parte necessariamente da ideia tradicional de uma banda a tocar uma canção do princípio ao fim. Samples, vozes, instrumentos, ritmos e fragmentos sonoros podem ser retirados do seu contexto original, reorganizados e colocados em novas relações.

Essa lógica de colagem tornou-se uma das características mais reconhecíveis do projecto.

Low Kick and Hard Bop, editado originalmente em 2001, surge nesse território híbrido, onde electrónica, pop, rock, música experimental e referências retiradas de diferentes fontes podem coexistir dentro da mesma obra.

É uma abordagem que reflecte também uma transformação mais ampla da produção musical no final dos anos 90 e início dos anos 2000. A tecnologia digital tinha tornado mais acessível a manipulação de áudio, permitindo que músicos e produtores trabalhassem com gravações de uma forma cada vez menos dependente das estruturas tradicionais de composição e estúdio.

Solex levou essa liberdade para uma linguagem própria.

A importância de Low Kick and Hard Bop está precisamente nessa capacidade de construir música através de associações inesperadas. Em vez de esconder as costuras da montagem, Solex transforma-as numa parte da identidade das canções.

O álbum pode ser ouvido como uma sucessão de pequenas colisões entre estilos, texturas e referências.

É essa característica que continua a dar-lhe interesse um quarto de século depois.

O que muda com a edição de 25 anos

A primeira edição em vinil é uma das principais novidades desta celebração.

Até agora, Low Kick and Hard Bop não tinha uma edição neste formato. A chegada ao vinil permite assim apresentar fisicamente um álbum que pertence a uma época de transição entre diferentes formas de consumir e produzir música.

Mas o relançamento não se limita a transportar o álbum original para outro suporte.

A edição digital expandida acrescenta 11 lados B e gravações ao vivo, abrindo uma janela para material que ficou fora da edição principal ou que documenta o projecto em contexto de palco.

Essa expansão é particularmente relevante no caso de Solex.

Num projecto baseado na montagem, na manipulação e na combinação de diferentes elementos, versões alternativas e gravações ao vivo podem revelar tanto sobre o processo criativo como as próprias faixas do álbum.

Os lados B permitem perceber aquilo que ficou fora do alinhamento principal. Os registos ao vivo mostram o que acontece quando uma música concebida através de edição e manipulação passa para um contexto performativo.

A diferença entre estúdio e palco torna-se, assim, parte da história que esta edição recupera.

Em vez de apresentar apenas uma versão definitiva de Low Kick and Hard Bop, a expansão oferece mais peças para compreender o universo de Solex naquele período.

É uma diferença importante entre uma reedição comemorativa e uma edição que procura realmente acrescentar conteúdo.

“Mere Impostors” e a dimensão visual de Solex

O regresso do álbum também passa pelo vídeo de “Mere Impostors”.

A recuperação deste elemento visual acrescenta outra perspectiva à obra e ajuda a situar Solex num momento em que a identidade de um projecto musical começava cada vez mais a ser construída através da relação entre áudio e imagem.

O vídeo não funciona apenas como complemento promocional de uma canção. Faz parte do arquivo de um período em que Solex desenvolvia uma estética própria, tão marcada pela combinação de referências como a sua música.

Essa dimensão torna-se ainda mais evidente com a disponibilização de Solex vs. The Empty Bottle, documentário com 35 minutos de duração.

O título remete para a relação de Solex com o contexto de performance e para a dimensão mais física do projecto, colocando o espectador perante uma perspectiva diferente daquela oferecida pelo álbum.

O documentário permite olhar para Solex enquanto projecto artístico e não apenas como uma sequência de gravações.

É um complemento importante porque um álbum conserva sobretudo o resultado final. Um documentário pode revelar ambiente, espaço, comportamento e processo.

Juntos, os dois materiais ajudam a completar o retrato.

Um regresso que funciona como arquivo

Há uma diferença entre recuperar um disco antigo e reconstruir o contexto em que esse disco existiu.

No primeiro caso, basta reeditar as faixas.

No segundo, procura-se perceber o que ficou à volta delas.

É precisamente isso que torna esta celebração de Low Kick and Hard Bop interessante.

O vinil recupera o álbum enquanto objecto físico. A edição digital acrescenta material que ficou fora do alinhamento original e gravações ao vivo. O vídeo recupera a dimensão visual de “Mere Impostors”. O documentário acrescenta uma perspectiva audiovisual sobre Solex.

Cada elemento desempenha uma função diferente.

Não é necessário tratar o álbum como uma peça intocável de museu para justificar o seu regresso. Basta reconhecer que uma obra ganha novas possibilidades quando o seu contexto é recuperado.

Vinte e cinco anos depois, Low Kick and Hard Bop aparece assim acompanhado por uma quantidade considerável de material que permite voltar a ouvi-lo com outra perspectiva.

E há algo particularmente coerente nessa forma de celebrar Solex.

A música de Elisabeth Esselink sempre viveu da combinação de fragmentos, da alteração de contextos e da descoberta de novas relações entre sons.

Agora, 25 anos depois, o próprio álbum regressa através de uma nova montagem de memórias: o disco original, os lados B, os concertos, o vídeo e o documentário.

O tempo acrescentou novas camadas à obra.

SABIAS QUE?

A nova edição digital de Low Kick and Hard Bop acrescenta 11 lados B e gravações ao vivo ao alinhamento original. O álbum de 2001 chega também ao vinil pela primeira vez, enquanto a celebração é acompanhada pelo vídeo de “Mere Impostors” e pelo documentário de 35 minutos Solex vs. The Empty Bottle.

FICHA

Artista: Solex
Nome: Elisabeth Esselink
Álbum: Low Kick and Hard Bop
Ano original: 2001
Aniversário: 25 anos
Nova edição física: Vinil
Nova edição digital: Edição expandida
Material adicional: 11 lados B e gravações ao vivo
Vídeo: “Mere Impostors”
Documentário: Solex vs. The Empty Bottle
Duração do documentário: 35 minutos

VALE A PENA OUVIR

A melhor forma de entrar nesta reedição é começar pelo alinhamento original de Low Kick and Hard Bop e só depois avançar para o material adicional. Os lados B permitem descobrir caminhos que ficaram fora do álbum, enquanto as gravações ao vivo ajudam a perceber como o universo de Solex se transforma quando deixa o estúdio.

CONCLUSÃO

A celebração dos 25 anos de Low Kick and Hard Bop não procura apenas devolver um álbum ao presente. Recupera diferentes partes da história de Solex e coloca-as novamente em circulação.

Um disco que nasceu da arte da colagem regressa, duas décadas e meia depois, através de uma nova reunião de fragmentos.

Desta vez, o arquivo também faz parte da música.

Beatriz Ambrósio

Beatriz Ambrósio é jornalista e colaboradora do Música Total, dedicada à cobertura da atualidade musical nacional e internacional. Privilegia uma escrita clara, objetiva e rigorosa, acompanhando lançamentos, concertos, festivais e os principais acontecimentos da indústria da música. O seu trabalho procura informar os leitores de forma rápida e contextualizada, mantendo sempre o foco na relevância das notícias e na proximidade com quem vive a música todos os dias.

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