Vinte e dois anos depois de terem começado na Ribeira Grande, os Crossfaith continuam a provar que a persistência também faz parte do rock. A banda açoriana prepara o lançamento do seu segundo álbum de originais e apresenta “Hot Love”, um single que revela uma sonoridade mais madura e que pode muito bem marcar o melhor momento da sua carreira.
Num tempo em que muitos projetos desaparecem ao fim de poucos anos, os Crossfaith seguem em frente. Mantêm-se fiéis à identidade que construíram desde 2004, mas sem receio de evoluir. A Tour 22 Anos celebra um percurso feito de concertos, mudanças, desafios e da vontade permanente de criar música original nos Açores.
Mais de duas décadas a escrever a sua própria história
Os Crossfaith nasceram na Ribeira Grande em março de 2004. O projeto começou por interpretar versões, mas rapidamente encontrou um caminho próprio através da composição de temas originais. Foi essa decisão que definiu a personalidade da banda e lhe permitiu construir um percurso sólido dentro da cena rock açoriana.
Ao longo destes anos, a formação sofreu alterações naturais, lançou o álbum Mixed Emotional em 2009, venceu concursos, recebeu distinções e marcou presença em alguns dos principais palcos do arquipélago. Coliseu Micaelense, Teatro Ribeiragrandense, Centro Cultural de Angra do Heroísmo, RTP Açores, Semana do Mar, Festival Monte Verde, Casino Açores e inúmeras festas e festivais fazem parte de uma caminhada construída sempre junto do público.
Manter uma banda de rock ativa durante mais de duas décadas nunca é uma tarefa fácil. Nos Açores, onde o mercado é naturalmente mais pequeno e as oportunidades são mais limitadas, esse percurso ganha ainda maior valor. Os Crossfaith conseguiram atravessar diferentes fases da música sem perderem a vontade de continuar a criar.
“Hot Love” mostra uma banda mais madura
Depois do impacto de “GraveDiggers”, os Crossfaith apresentam agora “Hot Love”, o novo single que antecipa o lançamento do segundo álbum de originais.
A nova canção revela uma banda mais segura das suas capacidades. As guitarras mantêm a força característica do hard rock, mas a produção apresenta um acabamento mais refinado, permitindo que a melodia e o refrão ganhem protagonismo. É um tema direto, enérgico e pensado para ficar na memória desde a primeira audição.
Na perspetiva do Música Total, “Hot Love” afirma-se desde já como um dos melhores temas da carreira dos Crossfaith. A composição evidencia uma evolução clara na escrita, nos arranjos e na interpretação, mostrando uma banda que não vive apenas do passado, mas que continua a procurar novas formas de crescer. Se o restante álbum mantiver este nível de qualidade, tudo indica que poderá tornar-se o trabalho mais consistente da discografia do grupo.
Um novo álbum para abrir uma nova etapa
O lançamento do segundo álbum representa um momento particularmente importante para os Crossfaith. Depois de vários anos de preparação, o disco promete apresentar uma sonoridade renovada, mantendo a identidade que o grupo foi construindo desde o primeiro álbum.
A gravação passou pelos estúdios TNT e NeburRecords, enquanto a mistura final ficou a cargo de Nelson Canoa, nos Canoa Studios, produtor reconhecido pelo trabalho desenvolvido com vários nomes da música portuguesa. A escolha demonstra a ambição da banda em elevar a qualidade deste novo trabalho e levá-lo a um público ainda mais vasto.
O percurso recente confirma essa evolução. A participação nas coletâneas Azores & Metal, o lançamento do videoclipe “GraveDiggers”, a nomeação para o Prémio Adamastor e a Tour 22 Anos mostram uma banda em plena atividade e determinada em continuar a escrever novos capítulos da sua história.
O rock açoriano continua a ter voz
Ao longo de mais de vinte anos, os Crossfaith transformaram-se numa das bandas de hard rock mais consistentes dos Açores. Nunca seguiram modas nem procuraram atalhos. Preferiram construir um caminho próprio, sustentado pelos concertos, pela dedicação ao público e pela vontade constante de criar música original.
A chegada de “Hot Love” confirma que essa história está longe de terminar. Pelo contrário, deixa a sensação de que a banda entra agora numa das fases mais inspiradas da sua carreira. A Tour 22 Anos não é apenas uma celebração do passado. É também o ponto de partida para um futuro que promete continuar a afirmar os Crossfaith como um dos nomes incontornáveis do rock produzido nos Açores.

