Há qualquer coisa de simbólico em fazer barulho no meio do Atlântico. Uma ilha que tantas vezes é vendida como postal perfeito prepara-se para uma noite menos contemplativa e mais elétrica.

A 5 de setembro de 2026, São Miguel recebe um festival que cruza guitarras distorcidas com uma ideia simples, mas nada leve: usar música para apoiar o bem-estar animal.
O Decibels & Animals não quer ser apenas mais um cartaz de verão. Assume-se como gesto cultural. Um evento de uma noite, concentrado, direto, com rock alternativo, rock e punk como linguagem comum e uma causa concreta como eixo.
Uma estrutura pequena com intenção grande
A organização está a cargo da Basalto Cultural associação de Artes, associação sem fins lucrativos dedicada à dinamização artística nos Açores. O enquadramento não é neutro. Há aqui vontade de consolidar uma cena alternativa que, por natureza, vive muitas vezes na margem.
A parceria com a Associação Cantinho Animais dos Açores e com a Associação Animais de Rua traz densidade ao projeto. Não se trata de usar uma causa como adorno. Trata-se de criar impacto real junto de organizações que lidam diariamente com abandono, resgates e cuidados permanentes.
São Miguel no mapa alternativo
O local específico ainda será anunciado. Esse detalhe está em aberto. Mas a escolha da Ilha de São Miguel como palco já é, por si só, um posicionamento. Trazer bandas internacionais aos Açores implica logística, risco e investimento. Implica acreditar que há público e que faz sentido descentralizar.
Uma das bandas irá iniciar ali a sua digressão europeia. Um ponto de partida antes da estrada maior. Essa decisão coloca os Açores numa rota que raramente passa pelo arquipélago. Não é apenas uma data isolada. É uma espécie de sinal.
Energia crua e compromisso partilhado
O alinhamento contará com bandas locais e internacionais, ainda por anunciar. O foco está na intensidade ao vivo. Som direto, presença física, proximidade. Nada de espetáculo higienizado. A proposta é clara: autenticidade.
Todos os artistas participam alinhados com a missão do festival. Há aqui uma dimensão colaborativa que importa sublinhar. A atuação não é apenas cachet e palco. É contribuição para uma causa que ultrapassa o concerto.
Cultura e responsabilidade na mesma frequência
Entre os objetivos assumidos estão a promoção da cultura musical alternativa nos Açores, a criação de intercâmbio entre músicos locais e internacionais e a sensibilização para o bem-estar animal. Cultura e comunidade não aparecem separadas. Funcionam como extensão uma da outra.
O Decibels & Animals é, no fundo, uma afirmação. A ideia de que a música pode ser mais do que entretenimento rápido. Que pode servir de plataforma para causas concretas. Que pode criar pontes num território insular onde cada iniciativa tem peso redobrado.
A 5 de setembro de 2026, São Miguel vai ouvir mais alto. Talvez não seja apenas o volume das guitarras. Talvez seja outra coisa a ganhar intensidade. Uma consciência coletiva que começa no palco e se prolonga para lá dele.









