Entre batidas agressivas, atmosferas sombrias e referências à cultura da internet, Malcriada está a construir um lugar próprio na música alternativa mexicana. O projeto de Mathilde Sobrino e Pepe Pecas cruza punk eletrónico, darkwave e experimentação, sem se prender às regras de um único género.
A música de Malcriada não procura ficar quieta. Os ritmos aceleram, as texturas eletrónicas ganham intensidade e as vozes convivem com uma produção que tanto convida ao movimento como cria uma sensação de inquietação. Existe uma energia próxima do punk, mas também uma atenção às atmosferas e aos detalhes que aproxima o duo de outras correntes da música eletrónica alternativa.
Originário da Cidade do México, o projeto reúne Mathilde Sobrino e Pepe Pecas numa proposta que vai além das canções. A componente visual, as referências góticas e a ligação à cultura digital fazem parte da identidade de Malcriada, um nome que merece atenção de quem acompanha as novas linguagens da música alternativa.
Uma identidade entre o punk e a eletrónica
Malcriada cruza diferentes referências sem procurar reproduzir integralmente nenhuma delas. O punk surge na atitude e na urgência das canções, enquanto o darkwave acrescenta ambientes mais densos. A eletrónica permite explorar ritmos, distorções e texturas que afastam o projeto das estruturas mais convencionais da música pop.
O resultado nem sempre procura o conforto do ouvinte. Algumas faixas privilegiam o impacto rítmico, outras apostam numa atmosfera mais sombria. Essa alternância ajuda a definir uma identidade musical que não depende de um único som.
A estética acompanha esta abordagem. As imagens, os ambientes e as referências visuais aproximam Malcriada das subculturas góticas e de um universo digital onde diferentes gerações de artistas, estilos e comunidades se encontram.
A internet tem aqui um papel importante. Não funciona apenas como plataforma de divulgação, mas como espaço de descoberta e partilha de referências. É nesse cruzamento que Malcriada encontra parte da sua linguagem, combinando elementos de diferentes épocas com uma abordagem contemporânea.
ESTÁ BIEN LLORAR: a vulnerabilidade também faz parte da música
Em 2025, Malcriada lançou ESTÁ BIEN LLORAR </3, um álbum de 14 faixas que ajuda a compreender a dimensão emocional do projeto.
O título, que significa «está tudo bem chorar», aponta para uma ideia que atravessa o universo do duo: a possibilidade de expressar emoções sem esconder fragilidades. Essa dimensão convive com a energia da produção eletrónica e com uma atitude irreverente que evita transformar o disco numa declaração sentimental convencional.
Entre os títulos do álbum encontram-se #dreamcore, iPhone e Inteligencia Artificial. As referências aproximam experiências pessoais, tecnologia e imaginários que fazem parte do quotidiano digital.
O disco permite conhecer diferentes facetas de Malcriada e perceber como o projeto utiliza a música para explorar estados emocionais sem abandonar a experimentação sonora. A vulnerabilidade não surge separada da distorção ou do ritmo. Faz parte do mesmo universo.
TEORÍA DE CONSPIRACIÓN reforça o lado experimental
Em setembro de 2026, o duo apresentou TEORÍA DE CONSPIRACIÓN, um EP de cinco temas que aprofunda a sua relação com a eletrónica alternativa.
Entre as faixas encontram-se PARANOIA, MK ULTRA, ICEBERG e DESAPARECER. Os títulos sugerem um imaginário marcado pela inquietação, pela suspeita e por ambientes psicológicos mais densos, elementos que se enquadram na estética do projeto.
Musicalmente, o EP permite explorar o lado mais intenso de Malcriada, com uma abordagem que aproxima ritmos eletrónicos, distorção e atmosferas sombrias. Em vez de procurar uma fórmula única, o duo trabalha os contrastes entre as faixas e mantém espaço para a experimentação.
A evolução entre este lançamento e ESTÁ BIEN LLORAR </3 ajuda a perceber a amplitude da proposta. Se o álbum de 2025 apresenta diferentes dimensões emocionais e sonoras, o EP reforça a vertente mais concentrada e inquietante do projeto.
Malcriada é um nome a descobrir na música alternativa mexicana
A identidade de Malcriada nasce do encontro entre música, imagem e cultura digital. O punk eletrónico oferece energia, o darkwave acrescenta densidade e as referências visuais ajudam a construir um universo reconhecível.
O projeto também tem procurado chegar a novos públicos através de colaborações e participações em espaços internacionais de divulgação musical. Essa circulação permite apresentar uma proposta que parte do México, mas dialoga com diferentes comunidades da música alternativa.
Para quem acompanha artistas que exploram as fronteiras entre eletrónica, punk e sonoridades mais sombrias, Malcriada é um nome a manter no radar.
O ponto de partida pode ser TEORÍA DE CONSPIRACIÓN, pela sua abordagem mais concentrada, antes de recuar até ESTÁ BIEN LLORAR </3 e descobrir um retrato mais amplo do universo criado por Mathilde Sobrino e Pepe Pecas.
