O Festival chega à quinta edição com mais um dia de programação e uma mudança de espaço. Entre 25 e 27 de setembro, o evento instala-se no Monte Calvário, em Nogueira, com sete concertos, duas oficinas e entrada livre.
A mudança é visível. O festival passa a três dias e ganha um novo lugar. A questão é perceber o que acontece à medida que um projeto dedicado à música tradicional cresce: como aumentar a programação sem perder a proximidade com o território e com a comunidade que está na origem da sua identidade?
Ao chegar à quinta edição, o Festival de Música Folk da Maia parece entrar numa fase diferente. Já não se trata apenas de repetir uma fórmula. A extensão do programa sugere um festival que encontrou espaço para crescer e que procura agora transformar esse crescimento numa experiência mais ampla.
Mais dias e um novo espaço para o encontro
A grande novidade da edição de 2026 é a passagem para três dias. A programação deixa de se concentrar num período mais curto e passa a criar mais tempo para concertos, oficinas e momentos de participação.
A mudança para o Monte Calvário, em Nogueira, também altera a forma como o festival ocupa o território. Durante três dias, o espaço recebe música, dança e atividades abertas ao público, assumindo-se como ponto de encontro e não apenas como recinto para assistir a concertos.
O cartaz reúne Bicho Carpinteiro, Trevo de Cordas, 7 Saias, Trigueirinha, Galandum Galundaina, Rastolhice e Daniel Pereira Cristo. São sete propostas que atravessam diferentes formas de trabalhar a música de raiz portuguesa.
Mais do que apresentar uma única ideia de folk, o programa procura mostrar a diversidade que existe dentro desta linguagem, entre a festa popular, o trabalho instrumental e abordagens que aproximam a tradição de outras sonoridades e formas de criação.
É também aqui que a quinta edição ganha significado. O festival cresce em duração, mas não abandona a ideia de que a música tradicional continua a depender dos lugares e das pessoas que a fazem circular.
A comunidade não fica apenas diante do palco
As oficinas voltam a fazer parte da programação e ajudam a distinguir o Festival de Música Folk da Maia de uma simples sequência de concertos.
No dia 26 de setembro, Diana Azevedo orienta uma oficina dedicada às danças tradicionais. No dia seguinte, Daniel Pereira Cristo conduz “Um encontro com as raízes…”, uma sessão dedicada aos instrumentos tradicionais portugueses, através de música ao vivo, conversa, histórias e curiosidades.
Estes momentos dão ao público uma posição diferente. Em vez de ficar apenas diante do palco, pode experimentar diretamente algumas das práticas que fazem parte do universo musical do festival.
Essa participação tem um peso particular num evento dedicado à música tradicional. Muitas destas práticas nasceram e desenvolveram-se através da convivência, da repetição e da transmissão entre pessoas.
Aprender uma dança ou descobrir um instrumento não é apenas uma atividade paralela à programação. É também uma forma de perceber como determinadas músicas continuam a chegar a novas gerações.
Sete concertos e diferentes formas de olhar para as raízes
O programa começa a 25 de setembro com Bicho Carpinteiro, Trevo de Cordas e 7 Saias.
No sábado, depois da oficina de danças tradicionais orientada por Diana Azevedo, o festival recebe Trigueirinha e Galandum Galundaina. O último dia começa com a oficina “Um encontro com as raízes…”, conduzida por Daniel Pereira Cristo, antes dos concertos de Rastolhice e do próprio músico.
A escolha dos projetos revela uma programação que não trata a música folk como um repertório fechado.
As raízes continuam presentes, mas aparecem através de diferentes formas de tocar, cantar, interpretar e reinventar. É essa diversidade que permite ao festival fugir a uma ideia única e fixa de tradição.
A música tradicional portuguesa transporta histórias, instrumentos e repertórios ligados a diferentes regiões e comunidades. Mas continua também a mudar à medida que novos músicos a recuperam e a colocam em contacto com outras influências.
O Festival de Música Folk da Maia parece partir precisamente dessa possibilidade: preservar não significa colocar a música num lugar imutável.
Na quinta edição, o desafio é continuar a criar um lugar
Chegar à quinta edição é, por si só, um sinal de continuidade. Mas a passagem para três dias mostra que o festival procura agora uma nova dimensão.
Mais tempo de programação significa mais concertos, mas também mais oportunidades para que o público permaneça no espaço. Entre uma atuação e outra, há oficinas, dança, encontros e tempo para descobrir propostas diferentes.
É nesse intervalo que o festival pode ganhar uma identidade própria.
O Monte Calvário será, durante três dias, o ponto onde essas experiências se cruzam. A música é o motivo inicial, mas a proposta vai além da sucessão de concertos.
O desafio será continuar a crescer sem transformar essa proximidade numa ideia decorativa.
A música folk vive da memória, mas continua a existir porque alguém a toca, dança, aprende e partilha.
O Festival de Música Folk da Maia chega à quinta edição com mais espaço e mais tempo. Resta agora ver o que acontece quando esse espaço volta a ser ocupado pelas pessoas.
Programa do Festival de Música Folk da Maia 2026
25 de setembro
17h00 | Bicho Carpinteiro
18h30 | Trevo de Cordas
22h00 | 7 Saias
26 de setembro
11h00 | Oficina de Danças Tradicionais com Diana Azevedo
18h30 | Trigueirinha
21h30 | Galandum Galundaina
27 de setembro
11h00 | Daniel Pereira Cristo, “Um encontro com as raízes…”
Oficina dedicada à diversidade dos instrumentos tradicionais portugueses.
18h30 | Rastolhice
21h30 | Daniel Pereira Cristo
Informações
Festival de Música Folk da Maia 2026
25 a 27 de setembro de 2026
Monte Calvário, Nogueira, Maia
Entrada livre
