Hana Kogure lança digitalmente em Portugal o EP Carioca de Limão, um trabalho que reúne duas composições originais e duas interpretações de fados clássicos. A cantora, compositora e guitarrista japonesa regressa assim a uma relação musical construída ao longo de vários anos, marcada pela experiência de viver em Portugal e pela descoberta de uma tradição que acabou por integrar o seu próprio repertório.
Natural de Chiba, no Japão, Hana Kogure começou a escrever letras e a compor canções aos 15 anos. Em 1999, iniciou o seu percurso musical em Tóquio e Quioto, apresentando as suas composições acompanhada à guitarra acústica. O primeiro álbum, Tori ni Naru Hi, cujo título pode ser traduzido como «O Dia em que me Torno um Pássaro», chegou em 2004, através da editora OFF Note.
Entre 2008 e 2011, viveu em Portugal, onde atuou em cidades como Lisboa, Porto, Coimbra, Guarda, Barcelos e Caldas da Rainha. Esses anos aproximaram-na da língua portuguesa e da música do país, abrindo caminho a uma ligação ao fado que se prolongou muito para além dessa estadia.
Para Kogure, o interesse pelo fado não se resume à interpretação de canções tradicionais portuguesas. A artista tem procurado integrar esta música na sua identidade enquanto compositora e intérprete japonesa, explorando as possibilidades de cantar em português e japonês e de trabalhar com as diferentes sonoridades das duas línguas.
Duas composições originais e dois fados clássicos
O EP Carioca de Limão reúne quatro temas: «Carioca de Limão» e «Gatangoton», duas composições originais, a par de «Júlia Florista» e «Tudo Isto É Fado», dois títulos incontornáveis do repertório fadista.
A escolha permite colocar lado a lado o trabalho autoral da cantora e a sua interpretação de canções que fazem parte da história do fado. O português e o japonês integram este percurso, numa abordagem que nasce do contacto prolongado com a cultura portuguesa e da vontade de encontrar uma expressão musical própria.
As canções transportam memórias e impressões de Portugal, mas passam também pelo imaginário e pela sensibilidade da língua japonesa. É nessa relação entre experiência pessoal, composição e interpretação que o trabalho de Hana Kogure encontra a sua particularidade.
Um percurso construído entre Portugal e o Japão
A aproximação ao fado tem vindo a ganhar espaço na discografia da artista. Depois de AZUL, editado em 2017, Hana Kogure lançou Jacaranda, em 2023, o seu primeiro álbum inteiramente dedicado ao fado. Em junho de 2026, apresentou LUZ – Hikari no Ballad, um trabalho que voltou a reunir composições próprias e repertório fadista.
Carioca de Limão surge na continuidade desse percurso, sem deixar de reservar espaço às canções originais. A edição digital em Portugal dá agora a conhecer um novo capítulo de uma relação artística que começou durante os anos em que Kogure viveu no país e que continua presente na música que escolhe cantar e compor.
