Terça-feira, 21 de Julho de 2026
Lado B da Música

Lado B da Música: quatro histórias incríveis dos Xutos, Ornatos, Queen e Radiohead

Por Mafalda Matos 20 Jul 2026

Nem todas as histórias que marcaram a música aconteceram em palco ou chegaram às manchetes. Algumas nasceram nos bastidores, outras resultaram de decisões inesperadas e há até canções que quase nunca viram a luz do dia. Nesta estreia do “Lado B da Música”, viajamos por duas histórias portuguesas e duas internacionais que ajudam a olhar para a música de uma forma diferente.

 

Xutos & Pontapés: um nome que nasceu de uma brincadeira

Hoje é impossível imaginar a história do rock português sem os Xutos & Pontapés. No entanto, quando a banda surgiu, em 1978, o nome estava longe de transmitir a dimensão que viria a alcançar.

A expressão surgiu num ambiente descontraído entre amigos e refletia a energia irreverente do grupo. Não foi resultado de uma estratégia de marketing nem de um estudo de imagem. Era apenas um nome provocador, diferente e fácil de memorizar.

Décadas depois, aquilo que começou quase como uma brincadeira transformou-se numa das marcas mais fortes da música portuguesa. Um exemplo de como, por vezes, as decisões menos planeadas acabam por resistir melhor à passagem do tempo.

Ornatos Violeta: o fim chegou quando tudo parecia começar

Poucas bandas portuguesas conquistaram um estatuto tão especial em tão pouco tempo como os Ornatos Violeta.

Depois do lançamento de Cão! e, sobretudo, de O Monstro Precisa de Amigos, o grupo tinha conquistado crítica e público. O reconhecimento crescia de concerto para concerto e tudo apontava para uma carreira ainda maior.

Mas foi precisamente nessa fase que a banda decidiu terminar. As diferenças criativas e o desgaste interno falaram mais alto do que o sucesso. O adeus aconteceu quando muitos esperavam um novo capítulo.

Com o passar dos anos, essa decisão acabou por reforçar o caráter quase mítico dos Ornatos Violeta, cuja influência continua visível em novas gerações de músicos portugueses.

Queen: a canção que ninguém acreditava que pudesse ser um êxito

Quando Freddie Mercury apresentou “Bohemian Rhapsody”, a reação dentro da indústria musical esteve longe do entusiasmo.

Com quase seis minutos de duração, mudanças constantes de ritmo e uma secção operática improvável para a época, muitos responsáveis acreditavam que as rádios nunca passariam uma música daquele género.

Apesar das dúvidas, a banda recusou cortar a canção. A aposta revelou-se decisiva. “Bohemian Rhapsody” tornou-se um dos maiores clássicos da história do rock e continua, décadas depois, a conquistar novas gerações.

Uma das maiores obras da música nasceu precisamente da recusa em seguir as regras do mercado.

Radiohead: quando um sucesso se transformou num problema

Hoje, os Radiohead são vistos como uma das bandas mais influentes das últimas décadas. Mas tudo podia ter sido diferente.

O primeiro grande sucesso, “Creep”, tornou-se rapidamente um fenómeno internacional. O problema é que a banda sentiu que estava a ficar presa a uma única canção.

Em vez de repetir a fórmula, os Radiohead decidiram mudar radicalmente de direção. Álbuns como OK Computer e Kid A mostraram uma banda disposta a correr riscos, mesmo sabendo que podia perder parte do público.

A decisão foi arriscada, mas acabou por redefinir a carreira do grupo e influenciar profundamente a música alternativa dos anos seguintes.

As histórias escondidas também fazem parte da música

Os discos que ouvimos contam apenas uma parte da história. Nos bastidores existem decisões improváveis, encontros inesperados e momentos que alteraram o rumo de bandas inteiras.

É precisamente nesse território que vive o verdadeiro Lado B da Música. Porque, muitas vezes, compreender uma canção ou um álbum começa muito antes de se carregar no botão “play”.

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Mafalda Matos

Mafalda Matos é jornalista no Música Total, onde assina sobretudo peças sobre [novidades musicais / entrevistas / cultura regional]. Com [10 anos] ligada ao jornalismo cultural, tem acompanhado de perto [festivais, lançamentos nacionais, etc.] e é uma das vozes mais regulares do Radar Nacional e da secção de Entrevistas do site.