Segunda-feira, 13 de Julho de 2026
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Maré de Agosto 2026: os quatro concertos que podem fazer história em Santa Maria

Por Jorge Silva Medeiros 13 Jul 2026

Entre 19 e 22 de agosto, a Praia Formosa, na ilha de Santa Maria, volta a receber um dos festivais mais singulares do país. A Maré de Agosto 2026 apresenta um cartaz que mantém viva a identidade construída ao longo de mais de quatro décadas: música sem fronteiras, descoberta, artistas vindos de diferentes geografias e uma ligação rara entre palco, natureza e público.

 

O cartaz reúne nomes como Queen Omega & The Royal Souls, Terrakota, K:77, Talco, Vitor Kley, Cais Sodré Funk Connection, Oma Jali, OKO, Wüstenberg, We Sea, Manga Limão, Antoine C e A-Kids. É uma programação pensada para quem gosta de descobrir música sem preconceitos. Ainda assim, olhando para os quatro dias de festival, há concertos que, pelas suas características, parecem destinados a ficar entre os grandes momentos desta edição.

Queen Omega chega para transformar a Praia Formosa

Quando se olha para o alinhamento da edição de 2026, é difícil não colocar Queen Omega & The Royal Souls entre os nomes mais aguardados. A artista de Trindade e Tobago conquistou uma posição de enorme respeito dentro do reggae internacional e transporta para palco uma intensidade pouco comum.

Quem conhece o festival sabe que a Maré de Agosto sempre recebeu artistas capazes de criar momentos únicos sem dependerem de sucessos comerciais. Queen Omega encaixa exatamente nesse perfil. A sua voz poderosa, a forte componente espiritual das suas canções e a ligação que estabelece com o público prometem criar um daqueles concertos em que ninguém sente vontade de olhar para o telemóvel.

Na noite de 20 de agosto, o reggae poderá encontrar na Praia Formosa um cenário perfeito, onde o som das ondas faz quase parte da banda.

Terrakota continuam a provar porque são uma referência

Também no dia 20 de agosto, sobem ao palco os Terrakota, um nome que dispensa apresentações para quem acompanha a música portuguesa.

Ao longo da sua carreira, a banda construiu um universo onde África, América Latina, reggae, ska, rock e música tradicional convivem sem qualquer esforço. Não seguem modas. Nunca seguiram. Preferiram criar uma identidade própria e é precisamente isso que faz deles um dos projetos mais consistentes da música portuguesa.

Na Maré de Agosto existe um detalhe que poderá tornar este concerto ainda mais especial. O ambiente intimista do festival favorece bandas que vivem da energia do público e da improvisação. Os Terrakota são exatamente esse tipo de banda. O palco deixa de ser uma fronteira e transforma-se numa celebração onde toda a gente participa.

K:77 representa aquilo que a Maré nunca deixou de ser

Todos os anos existe um artista que muitos descobrem apenas quando compram o bilhete. Em 2026, esse papel pode muito bem pertencer aos K:77, vindos do Egito.

É precisamente por escolhas como esta que a Maré de Agosto continua a distinguir-se no panorama dos festivais portugueses. Enquanto muitos eventos repetem fórmulas e cartazes semelhantes, Santa Maria continua a abrir espaço para projetos improváveis, oferecendo ao público a oportunidade de viajar através da música.

Também marcado para 20 de agosto, este poderá ser um daqueles concertos que surpreendem até quem chega sem qualquer expectativa. Muitas vezes é assim que nascem as melhores memórias de um festival.

We Sea mostram que os Açores continuam a ter muito para dizer

O primeiro dia da Maré de Agosto pertence aos Açores.

No dia 19 de agosto, o Palco Terra, instalado no Miradouro da Macela, recebe os We Sea, acompanhados por Manga Limão e Antoine C. Mais do que abrir oficialmente o festival, a banda representa a ligação permanente da Maré ao talento açoriano.

Ao longo da sua história, o festival nunca esqueceu que também tem a responsabilidade de mostrar aquilo que se faz nas ilhas. Os We Sea assumem esse papel com naturalidade, levando ao público um projeto que tem vindo a crescer e que encontra na Maré um palco com um significado muito especial.

Ver uma banda açoriana iniciar quatro dias de música diante do Atlântico é também uma forma de recordar que este festival continua profundamente ligado ao território onde nasceu.

Cartaz completo da Maré de Agosto 2026

19 de agosto

Palco Terra

  • We Sea
  • Manga Limão
  • Antoine C

20 de agosto

Palco Maré

  • Queen Omega & The Royal Souls
  • Terrakota
  • K:77

21 de agosto

Palco Maré

  • Oma Jali
  • Wüstenberg
  • OKO

22 de agosto

Palco Maré

  • Cais Sodré Funk Connection
  • Vitor Kley
  • Talco
  • A-Kids

A Maré de Agosto nunca viveu da corrida aos maiores nomes da indústria musical. Vive da capacidade de surpreender, de aproximar culturas e de criar uma atmosfera que dificilmente se encontra noutro festival português. Quando as luzes se apagarem na Praia Formosa e o silêncio voltar à baía, talvez sejam precisamente os concertos de Queen Omega & The Royal Souls, Terrakota, K:77 e We Sea aqueles que continuarão a ecoar na memória de quem escolheu Santa Maria para celebrar a música.

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Jorge Silva Medeiros

Jorge Silva Medeiros é técnico de som na RTP e fundador do Música Total, um dos projetos editoriais dedicados à música com maior longevidade em Portugal. Ligado ao setor da comunicação e da música há mais de duas décadas, criou também a Rádio Atlântida e tem desenvolvido um trabalho contínuo na divulgação da música portuguesa, dos artistas emergentes e dos grandes eventos culturais.