Priscila Da Costa revisita temas do álbum editado em 2025 numa gravação ao vivo produzida por Tue Madsen. A sessão abre caminho para uma nova colaboração, que deverá dar origem ao próximo álbum de estúdio no verão de 2027.
Mudar a forma de tocar uma canção pode alterar por completo a maneira como a escutamos. Em «The Antfarm Session», Ptolemea regressa a temas de Kali, segundo álbum de longa duração do projeto, para os apresentar num registo acústico que coloca a voz de Priscila Da Costa no centro da interpretação.
Gravada ao vivo no Antfarm Studio, na Dinamarca, a sessão afasta-se da densidade dos arranjos originais e dá espaço a outras nuances das composições. A produção ficou a cargo de Tue Madsen, nome reconhecido pelo trabalho na música pesada, que volta assim a cruzar-se com o universo de Ptolemea numa abordagem diferente da habitual.
Editado em 2025, Kali serve de ponto de partida para esta nova leitura. Em vez de reproduzir a energia do álbum através de uma instrumentação diferente, o projeto opta por expor as canções de outra maneira, aproximando a interpretação de quem escuta.
Priscila Da Costa sem a proteção dos arranjos
A voz de Priscila Da Costa ganha outro relevo quando deixa de estar envolvida pela densidade sonora das versões originais. A amplitude vocal e a capacidade de percorrer diferentes estados emocionais, entre a escuridão e a esperança, são elementos centrais desta sessão.
O formato acústico não significa necessariamente suavizar as canções. A mudança está na forma como os elementos se relacionam e na atenção que a interpretação passa a exigir. Sem o mesmo peso instrumental, cada nuance vocal assume maior importância e as composições ficam mais expostas.
É também nesse espaço que a identidade de Ptolemea pode ser observada de outra perspetiva. A intensidade continua presente, mas encontra uma expressão diferente, menos dependente da força dos arranjos e mais concentrada na voz e na dimensão emocional das canções.
A sessão permite, assim, regressar a Kali sem procurar uma reprodução fiel do álbum. O interesse está precisamente na diferença entre as duas abordagens e naquilo que esta nova leitura acrescenta ao repertório.
«The Antfarm Session» e uma nova perspetiva sobre Kali
A escolha de um formato acústico representa uma mudança significativa na apresentação destas composições. As canções deixam de depender da estrutura sonora que definiu as versões originais e passam a revelar-se através de uma interpretação mais despojada.
Gravar ao vivo reforça a proximidade da experiência. A sessão regista as interpretações num contexto de execução direta, sem que o projeto tenha de reconstruir em estúdio a mesma arquitetura sonora do álbum de 2025.
O trabalho de Tue Madsen assume aqui particular interesse. Associado à produção de música pesada, o produtor participa numa gravação que privilegia uma abordagem mais contida, sem que isso implique abandonar a identidade artística de Ptolemea.
«The Antfarm Session» não procura substituir Kali. Funciona antes como um complemento, capaz de acrescentar outras perspetivas a um conjunto de canções que ganha novas possibilidades quando muda o contexto em que é apresentado.
O lançamento terá edição em CD e nos formatos digitais através da Ragingplanet, permitindo que esta interpretação alternativa chegue a quem acompanha o percurso do projeto.
Uma colaboração que continua em 2027
A sessão acústica tem também uma dimensão que ultrapassa a revisitação do álbum. A colaboração entre Priscila Da Costa e Tue Madsen deverá prosseguir no verão de 2027, com a gravação de um novo álbum de estúdio.
Esta continuidade torna «The Antfarm Session» particularmente relevante no percurso de Ptolemea. A gravação apresenta uma abordagem diferente ao repertório existente e reúne dois nomes que voltarão a trabalhar juntos num novo conjunto de composições.
Ainda não são conhecidos detalhes sobre o próximo álbum, pelo que será cedo para antecipar a direção musical que poderá seguir. A sessão oferece, contudo, um ponto de contacto entre o trabalho já desenvolvido e aquilo que o projeto prepara para o futuro.
Por enquanto, Ptolemea regressa a Kali para mostrar que as mesmas canções podem ganhar outro significado quando mudam as condições em que são interpretadas. O próximo capítulo começará a tomar forma no verão de 2027, novamente com Priscila Da Costa e Tue Madsen em estúdio.
