Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026
Radar Nacional

Ptolemea despe «Kali» dos arranjos originais numa sessão acústica gravada na Dinamarca

Por Jorge Silva Medeiros 21 Out 2026
Priscila Da Costa revisita temas do álbum editado em 2025 numa gravação ao vivo produzida por Tue Madsen. A sessão abre caminho para uma nova colaboração, que deverá dar origem ao próximo álbum de estúdio no verão de 2027.
Mudar a forma de tocar uma canção pode alterar por completo a maneira como a escutamos. Em «The Antfarm Session», Ptolemea regressa a temas de Kali, segundo álbum de longa duração do projeto, para os apresentar num registo acústico que coloca a voz de Priscila Da Costa no centro da interpretação.
Gravada ao vivo no Antfarm Studio, na Dinamarca, a sessão afasta-se da densidade dos arranjos originais e dá espaço a outras nuances das composições. A produção ficou a cargo de Tue Madsen, nome reconhecido pelo trabalho na música pesada, que volta assim a cruzar-se com o universo de Ptolemea numa abordagem diferente da habitual.
Editado em 2025, Kali serve de ponto de partida para esta nova leitura. Em vez de reproduzir a energia do álbum através de uma instrumentação diferente, o projeto opta por expor as canções de outra maneira, aproximando a interpretação de quem escuta.
Priscila Da Costa sem a proteção dos arranjos
A voz de Priscila Da Costa ganha outro relevo quando deixa de estar envolvida pela densidade sonora das versões originais. A amplitude vocal e a capacidade de percorrer diferentes estados emocionais, entre a escuridão e a esperança, são elementos centrais desta sessão.
O formato acústico não significa necessariamente suavizar as canções. A mudança está na forma como os elementos se relacionam e na atenção que a interpretação passa a exigir. Sem o mesmo peso instrumental, cada nuance vocal assume maior importância e as composições ficam mais expostas.
É também nesse espaço que a identidade de Ptolemea pode ser observada de outra perspetiva. A intensidade continua presente, mas encontra uma expressão diferente, menos dependente da força dos arranjos e mais concentrada na voz e na dimensão emocional das canções.
A sessão permite, assim, regressar a Kali sem procurar uma reprodução fiel do álbum. O interesse está precisamente na diferença entre as duas abordagens e naquilo que esta nova leitura acrescenta ao repertório.
«The Antfarm Session» e uma nova perspetiva sobre Kali
A escolha de um formato acústico representa uma mudança significativa na apresentação destas composições. As canções deixam de depender da estrutura sonora que definiu as versões originais e passam a revelar-se através de uma interpretação mais despojada.
Gravar ao vivo reforça a proximidade da experiência. A sessão regista as interpretações num contexto de execução direta, sem que o projeto tenha de reconstruir em estúdio a mesma arquitetura sonora do álbum de 2025.
O trabalho de Tue Madsen assume aqui particular interesse. Associado à produção de música pesada, o produtor participa numa gravação que privilegia uma abordagem mais contida, sem que isso implique abandonar a identidade artística de Ptolemea.
«The Antfarm Session» não procura substituir Kali. Funciona antes como um complemento, capaz de acrescentar outras perspetivas a um conjunto de canções que ganha novas possibilidades quando muda o contexto em que é apresentado.
O lançamento terá edição em CD e nos formatos digitais através da Ragingplanet, permitindo que esta interpretação alternativa chegue a quem acompanha o percurso do projeto.
Uma colaboração que continua em 2027
A sessão acústica tem também uma dimensão que ultrapassa a revisitação do álbum. A colaboração entre Priscila Da Costa e Tue Madsen deverá prosseguir no verão de 2027, com a gravação de um novo álbum de estúdio.
Esta continuidade torna «The Antfarm Session» particularmente relevante no percurso de Ptolemea. A gravação apresenta uma abordagem diferente ao repertório existente e reúne dois nomes que voltarão a trabalhar juntos num novo conjunto de composições.
Ainda não são conhecidos detalhes sobre o próximo álbum, pelo que será cedo para antecipar a direção musical que poderá seguir. A sessão oferece, contudo, um ponto de contacto entre o trabalho já desenvolvido e aquilo que o projeto prepara para o futuro.
Por enquanto, Ptolemea regressa a Kali para mostrar que as mesmas canções podem ganhar outro significado quando mudam as condições em que são interpretadas. O próximo capítulo começará a tomar forma no verão de 2027, novamente com Priscila Da Costa e Tue Madsen em estúdio.
Jorge Silva Medeiros

Jorge Silva Medeiros é técnico de som na RTP e fundador do Música Total, um dos projetos editoriais dedicados à música com maior longevidade em Portugal, dentro da plataformas. Ligado ao setor da comunicação e da música há mais de duas décadas, criou também a Rádio Atlântida e tem desenvolvido um trabalho contínuo na divulgação da música portuguesa, dos artistas emergentes e dos grandes eventos culturais, assim como produção de eventos.

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