O terceiro single de Foz leva o músico até Bruson, num registo que aproxima a natureza, a introspeção e o processo de criação musical. Em 2027, o artista celebra 25 anos de carreira com concertos nos Coliseus de Lisboa e do Porto.
Tiago Bettencourt escolheu uma paisagem suíça para dar corpo a «Luz no Escuro», o novo videoclipe retirado de Foz, álbum editado em novembro de 2025. Filmado em Bruson, durante um retiro artístico do músico, o vídeo acompanha uma canção que parte de uma pergunta simples: será possível descobrir alguma coisa precisamente quando julgamos não conseguir ver?
Este é o terceiro single do álbum e um dos temas em que a relação entre a perceção e a experiência pessoal assume um lugar central. A escuridão não surge apenas como ausência de luz. É também o espaço onde os sentidos se alteram e aquilo que parecia invisível pode começar a ganhar forma.
A luz depende também da forma como olhamos
A inspiração da canção passa pela midríase, o termo médico utilizado para designar a dilatação da pupila. No escuro, essa resposta do olho permite a entrada de mais luz. Tiago Bettencourt encontra neste mecanismo uma ligação à necessidade de abrandar e aceitar momentos de incerteza, em vez de procurar respostas imediatas.
O músico relaciona ainda a composição com o trabalho de James Turrell, artista conhecido pelas suas experiências com a luz e a perceção visual. A referência ajuda a compreender a intenção de «Luz no Escuro»: aquilo que vemos nem sempre corresponde a tudo o que está diante de nós.
Na explicação que acompanha o lançamento, Tiago Bettencourt recupera uma frase que todos conhecemos, mas à qual nem sempre prestamos atenção: «Há luz no escuro». O interesse está precisamente em retirar esta ideia do território das expressões feitas e olhar para ela de outra maneira.
Bruson como ponto de partida para a criação
O videoclipe transporta esta procura para Bruson, na Suíça, onde Tiago Bettencourt realizou um retiro artístico. A escolha do lugar enquadra a dimensão mais contemplativa do tema e permite acompanhar, através das imagens, uma aproximação ao universo criativo do músico.
A natureza e o silêncio fazem parte deste contexto, mas o interesse do vídeo está também na possibilidade de espreitar os momentos que antecedem uma obra acabada. A inspiração raramente se resume ao instante em que surge uma melodia. Pode nascer de uma paisagem, de uma pausa ou de uma experiência que só mais tarde encontra tradução numa canção.
Em Foz, essa dimensão ganha agora uma nova expressão visual. O videoclipe não se limita a acompanhar o lançamento de mais um single: acrescenta imagens ao universo de um álbum que continua a chegar ao público através de diferentes caminhos.
25 anos de carreira à vista
O lançamento de «Luz no Escuro» surge numa fase especial do percurso de Tiago Bettencourt. Em 2027, o músico assinala 25 anos de carreira com uma digressão que inclui concertos nos Coliseus de Lisboa e do Porto.
A efeméride oferece outra perspetiva sobre o seu percurso. Ao longo destes anos, Tiago Bettencourt construiu uma identidade própria na música portuguesa, mantendo uma escrita que encontra espaço tanto nas relações pessoais como nas perguntas que fazemos sobre nós e sobre o mundo.
Por agora, é Foz que ocupa o centro deste capítulo. «Luz no Escuro» acrescenta-lhe uma dimensão visual nascida longe dos palcos, num lugar onde o tempo parece obedecer a outro ritmo.
Talvez seja essa a ligação mais interessante entre a canção e o lugar onde foi filmada: a criação também precisa de espaço para acontecer. E nem sempre é quando procuramos mais intensamente que encontramos aquilo de que precisamos

