Três projectos portugueses vão passar por Seul entre 4 e 6 de setembro para participar no Zandari Festa, um dos principais festivais de showcases dedicados à música independente na Ásia. 800 Gondomar, Sunflowers e MONCHMONCH representam Portugal numa edição que reúne artistas e profissionais de diferentes mercados e que coloca a circulação internacional no centro do programa.
A presença portuguesa é promovida pela WHY Portugal, organização que trabalha a internacionalização da música portuguesa e que mantém uma relação com o festival sul-coreano. Para os três projectos, a passagem por Seul significa apresentar a sua música num contexto onde os concertos também podem funcionar como ponto de contacto com programadores, agentes, editoras e promotores internacionais.
Três projectos portugueses chegam a Seul
A escolha dos três nomes mostra diferentes caminhos dentro da música independente portuguesa. 800 Gondomar levam consigo uma mistura de garage rock, punk, noise e psicadelismo. Sunflowers apresentam uma linguagem ligada ao garage rock e ao punk, enquanto MONCHMONCH surge associado à electrónica e ao experimentalismo.
Não existe, por isso, uma tentativa de apresentar uma única imagem da música portuguesa. Os três projectos ocupam territórios diferentes e chegam a Seul com experiências próprias dentro do circuito independente.
No caso dos 800 Gondomar, a passagem pela Coreia do Sul acontece depois de uma trajectória que já levou o trio a tocar fora de Portugal. A banda regressou aos palcos em 2023 depois de um período de pausa e lançou em 2024 o álbum São Gunão, mantendo a combinação de energia punk, ruído e referências ligadas ao underground português.
Um festival onde o concerto não é o único objectivo
O Zandari Festa tem uma particularidade que interessa especialmente aos artistas portugueses. O festival funciona como uma plataforma de showcases, reunindo profissionais da programação, agenciamento, edição, promoção e comunicação musical. A WHY Portugal descreve este tipo de evento como uma das principais portas de entrada para novos mercados.
Guilherme Dourado, Coordenador Internacional da WHY Portugal, destaca precisamente essa dimensão profissional. Para a organização, os showcases permitem criar relações, encontrar oportunidades de circulação e iniciar colaborações que podem continuar depois do festival.
É uma lógica diferente da de um festival pensado apenas para o público. O concerto continua a ser essencial, mas existe também uma audiência profissional a observar o que acontece em palco. Uma actuação pode abrir uma conversa, e uma conversa pode levar a uma nova oportunidade noutro território.
A edição de 2026 decorre de 4 a 6 de setembro em vários espaços da zona de Mapo, em Seul. A programação oficial inclui, entre outros nomes internacionais, 800 Gondomar e Sunflowers.
Uma relação que já tem história
A participação portuguesa não começa este ano. A WHY Portugal tem vindo a trabalhar a relação com o Zandari Festa e com o mercado sul-coreano, procurando criar uma presença continuada em vez de limitar a internacionalização a participações isoladas.
Essa estratégia ganhou importância nos últimos anos. Dados da própria WHY Portugal indicam que a organização já esteve presente em mais de 60 festivais profissionais, promoveu cerca de 150 showcases e apoiou centenas de artistas ao longo da última década. Entre os nomes referidos estão Noiserv, Ana de Lor, Ana Lua Caiano e MÁQUINA.
A passagem pelo Zandari Festa deve ser entendida dentro desse percurso. Para 800 Gondomar, Sunflowers e MONCHMONCH, Seul não representa apenas uma nova cidade no calendário de concertos. É também uma oportunidade para testar a capacidade da sua música chegar a um mercado distante e estabelecer relações que possam continuar depois dos três dias de festival.
Portugal numa rede musical cada vez mais internacional
A WHY Portugal foi fundada em 2016 pela AMAEI, Associação de Músicos, Artistas e Editores Independentes, e funciona como uma associação sem fins lucrativos dedicada à exportação da música portuguesa. A organização conta com o apoio da Audiogest e da Fundação GDA.
A escolha de três projectos com linguagens tão diferentes também é significativa. Garage rock, punk, noise, psicadelismo e electrónica experimental chegam a Seul através de artistas que cresceram em circuitos independentes portugueses e que agora têm a oportunidade de apresentar esse trabalho perante uma rede internacional.
Para os 800 Gondomar, Sunflowers e MONCHMONCH, o primeiro passo será o palco. Depois dele começam as outras possibilidades: conhecer quem programa, quem agencia, quem promove e quem pode ajudar a levar estas músicas mais longe.
É essa parte menos visível dos showcases que pode transformar uma passagem por Seul numa etapa importante. O concerto dura uma noite. As relações profissionais podem durar muito mais.
