Anitta lança EQUILIBRIVM e reforça a sua fase mais espiritual e pessoal

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O novo álbum de Anitta chega num momento em que a artista parece menos interessada em provar alcance global e mais focada em consolidar identidade. EQUILIBRIVM não nasce como um produto pensado para tendências rápidas. Surge como um documento íntimo de transformação, com a música brasileira no centro e uma intenção clara de reconexão.

 

O disco inclui “Choka Choka”, colaboração com Shakira, que entrou diretamente para o #35 do Spotify Portugal e continua presente no Top 200 nacional. Um indicador concreto da ligação consistente da artista ao público português, mesmo numa fase mais introspectiva da sua carreira.

Um álbum que nasce de um processo interno

EQUILIBRIVM parte de uma inquietação iniciada em 2022. A procura por equilíbrio entre corpo, mente e espiritualidade transforma-se aqui em narrativa musical. Não há discurso religioso explícito. O foco está nos valores que atravessam essas referências: cura, amor, identidade.

A própria artista assume esse posicionamento com clareza. Mais do que citar símbolos, interessa-lhe traduzir significados. Esse detalhe muda tudo. O disco deixa de ser apenas conceptual e passa a ser vivido.

Essa abordagem ganha força no tema de abertura, “Desgraça”. A referência estética a Carmen Miranda introduz uma camada histórica inesperada, rapidamente contrastada com energia contemporânea e referências à Umbanda.

Sonoridade brasileira com ambição global

A base do álbum está profundamente enraizada na música brasileira. MPB, samba, bossa nova e funk funcionam como estrutura principal. Mas há uma expansão clara para outros territórios: reggae, afrobeat e ritmos latinos entram sem fricção.

Faixas como “Bemba”, com Luedji Luna, mergulham diretamente na cultura afro-brasileira, enquanto “Várias Queixas”, originalmente dos Olodum, surge reinterpretada em espanhol, refletindo o equilíbrio entre Brasil e mercado internacional.

O funk mantém-se como eixo central. Em “Meia-Noite”, a energia é pensada para palco. Em “Vai Dar Caô”, surge uma faceta mais urbana e direta, com Anitta a entrar no rap de forma assertiva.

Colaborações que ampliam o discurso

O alinhamento de convidados não é decorativo. Cada participação acrescenta contexto ao disco.

Marina Sena surge em “Mandinga”, um dos momentos mais conceptuais, que evolui de sedução para afirmação feminina. Liniker entra em “Caminhador” com uma abordagem mais poética, centrada na resistência emocional.

Há também espaço para leveza. “Casos de Amor”, com Os Garotin, e “So Much Love” trabalham uma dimensão mais luminosa do disco, sem quebrar a coerência narrativa.

Já “Choka Choka” funciona como ponto de ligação global. A parceria com Shakira não é apenas estratégica. Há um esforço claro de integração cultural, com referências ao ritual Quarup e uma construção visual alinhada com essa ideia de memória ancestral.

Um registo mais caseiro, mais próximo

Grande parte do álbum foi gravada no estúdio caseiro da artista, no Rio de Janeiro. Esse detalhe não é técnico. É conceptual.

O regresso ao Brasil e à proximidade familiar teve impacto direto no equilíbrio emocional da artista. Essa mudança sente-se no disco. Há mais contenção, mais intenção, menos urgência comercial.

“Ternura”, com Melly, traduz bem essa fase. A presença do hang pan cria um ambiente de suspensão, quase meditativo, alinhado com referências a Oxum e à simbologia da água.

Um projeto visual e culturalmente consciente

EQUILIBRIVM não se limita à música. Existe uma componente visual consistente, construída a partir de elementos do folclore e da mitologia brasileira.

Segundo a diretora criativa Nídia Aranha, cada símbolo utilizado carrega memória e significado. Não é estética vazia. É construção de narrativa.

Essa coerência reforça o posicionamento do álbum como um dos projetos mais pessoais da carreira de Anitta. Menos imediato, mais denso.

Concerto em Portugal já confirmado

A ligação ao público português ganha continuidade com a apresentação de “Os Ensaios Da Anitta, Cosmos”, marcada para 18 de julho no Passeio Marítimo de Algés.

Não é apenas mais um concerto. É a tradução ao vivo de um disco que vive de intenção, contraste e identidade.

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