O novo álbum ao vivo dos Tara Perdida já está cá fora e chega com o peso de uma história construída na estrada. “Ao Vivo em Alvalade” foi gravado em junho de 2025, na República da Música, em dois concertos que deram o pontapé de saída às celebrações dos 30 anos da banda.

Está disponível nas lojas e nas plataformas digitais, com aquele som cru que não tenta esconder nada.
Há uma urgência neste disco. Não soa polido nem domesticado. Soa a sala cheia, a suor, a vozes em coro. E isso faz sentido. O punk dos Tara Perdida nunca foi sobre perfeição, foi sempre sobre intensidade.
Um registo que capta o momento certo
Este lançamento funciona como cápsula de tempo. Não só regista uma fase importante da banda como fixa o arranque de um ciclo simbólico. Três décadas de carreira não se celebram com nostalgia vazia, celebram-se com volume no máximo.
Os concertos em Alvalade tiveram essa carga. Público colado ao palco, refrões gritados como se fossem novos. O disco mantém essa energia intacta. Não há distância entre quem toca e quem ouve.
Uma banda que continua a crescer em palco
A passagem recente pelo LAV – Lisboa ao Vivo confirmou isso. Sala 1 esgotada, entrega total e um detalhe importante: a estreia do novo baterista, Nuno José.
Mudanças de formação podem abanar uma banda. Aqui parecem ter feito o contrário. Trouxeram frescura, músculo, outra respiração rítmica. E nota-se. O impacto ao vivo ganha outra dimensão.
Quem esteve lá levou ainda o CD em antecipação. Um gesto simples, mas que reforça a ligação direta com o público. Sem filtros.
Entre legado e resistência
Antes do concerto, João Pedro Almendra subiu ao palco com Os Almendras. Um nome que atravessa décadas da música portuguesa e que ajudou a preparar o terreno emocional da noite.
Depois, os Tara Perdida fizeram o que sabem fazer. Canções que já fazem parte da memória coletiva, mosh sem cerimónias, uma sensação constante de pertença. O punk aqui não é estética. É prática. É forma de estar.
O verão continua com a mesma intensidade
A agenda não abranda. A banda passa por várias datas ao longo dos próximos meses, com destaque para o Rock in Rio Lisboa, a 21 de junho, no palco Super Bock.
Pinhel, Oeiras, Ponte de Sor, Benavente, Chamusca. Estrada atrás de estrada. Palco atrás de palco. O padrão mantém-se: proximidade com o público e concertos onde tudo pode acontecer.
“Ao Vivo em Alvalade” não tenta reinventar os Tara Perdida. Nem precisa. O disco limita-se a mostrar exatamente o que a banda é hoje. Direta, ruidosa, sem concessões.
E talvez seja isso que explica tudo. O punk não sobreviveu. Continua ativo. Continua a mexer. Continua a chamar gente para a frente do palco

