O primeiro álbum de Sarah Negra surge como uma afirmação direta dentro da nova música portuguesa, cruzando poesia, performance e som num território onde identidade e expressão caminham lado a lado.

Amor e Magia apresenta-se como um projeto que recusa fórmulas previsíveis e coloca o corpo, a palavra e a emoção no centro da criação artística.
Mais do que um disco de estreia, o trabalho funciona como um posicionamento claro. A artista constrói uma linguagem própria onde o íntimo se torna político e o coletivo ganha forma através da experiência individual.
Um disco entre o ritual e a urgência emocional
Amor e Magia desenvolve-se como um universo onde o amor surge enquanto força transformadora. Não é apenas tema, é motor. Canções como “Legalizem o Amor” colocam o afeto no centro do debate, enquanto “Gira” trabalha a libertação física e emocional.
Em “Bruxa”, a artista convoca uma dimensão ancestral do feminino, explorando ideias de poder e resistência. O álbum não evita o confronto com o presente, tocando em temas como violência, apatia e desgaste emocional, criando um contraste constante entre luz e tensão.
Feitiço como ponto de partida
O primeiro avanço do disco, “Feitiço”, estabelece a base estética do projeto. A canção mistura desejo e expansão com uma abordagem sonora que se aproxima de um pop de contornos cósmicos, mantendo sempre uma ligação forte ao corpo e ao ritmo.
Este tema funciona como porta de entrada para o universo do álbum, onde a intimidade e o coletivo coexistem sem hierarquia, numa lógica de fluxo e liberdade criativa.
Escrita poética e experiência expandida
Um dos elementos mais marcantes do disco está na forma como ultrapassa o formato tradicional de álbum. A escrita de Sarah Negra cruza línguas e registos, mantendo uma tensão constante entre contemplação e ação, fragilidade e confronto.
A inclusão de rituais e receitas de banhos de ervas associadas a várias faixas cria uma extensão da experiência para além da escuta. O disco passa a existir também no plano físico e simbólico, aproximando-se de uma prática artística mais imersiva.
Do estúdio para o palco em Lisboa
O projeto ganha corpo com a colaboração de músicos como Ricardo Martins e Alexandre Bernardo, responsáveis pela base instrumental, composição e produção. Ao vivo, o universo de Amor e Magia expande-se entre o rock, o pop e o spoken word, criando uma experiência sensorial e performativa.
O concerto de apresentação está marcado para 18 de junho, na Casa do Capitão, em Lisboa. Este momento assinala o início de uma nova fase para a artista, com ambição de circulação nacional e internacional.
Com participações de Royal Bermuda e Miguel Dias, mistura e masterização de Pedro Geraldo e apoio de entidades como a Fundação GDA e a SPA, o disco apresenta-se como um objeto artístico completo. Fica no ar uma sensação difícil de ignorar. Isto não é apenas um início, é uma tomada de posição.

