Domingo, 9 de Agosto de 2026
Conhecer Melhor

maya ongaku chegam a Portugal com Nothing Space Music: Porto e Lisboa em outubro

Por Jorge Silva Medeiros 9 Ago 2026
FOTO: Tsutomu Sonoda

 

Os maya ongaku chegam a Portugal em outubro com um novo disco feito num espaço criado pela própria banda. O trio japonês apresenta Nothing Space Music em duas noites consecutivas, primeiro no Porto, a 5 de outubro, e depois em Lisboa, a 6 de outubro.

A passagem por Portugal acontece numa fase nova para o grupo formado na região de Enoshima. Depois de uma primeira etapa marcada por discos como Approach to Anima e Electronic Phantoms, os maya ongaku voltaram a concentrar-se no processo de criação e construíram o próprio estúdio para trabalhar no novo álbum.

O disco nasceu longe do ruído

Nothing Space Music foi disponibilizado digitalmente a 7 de agosto e reúne oito temas. O álbum mantém a ligação dos maya ongaku ao psicadelismo e ao folk, mas abre espaço para ambientes mais contemplativos, electrónica e uma utilização mais cuidada do silêncio.

A mudança começa no próprio processo de gravação. Em vez de depender apenas de estúdios convencionais, o trio transformou um edifício insonorizado perto da sua zona de origem num espaço próprio para trabalhar. O Nothing Space Studio tornou-se parte importante da construção do álbum.

A decisão diz muito sobre a forma como a banda encara a música. O estúdio não aparece apenas como um local onde as canções foram registadas. É também uma tentativa de criar as condições certas para que essas canções acontecessem.

Os maya ongaku construíram um espaço para fazer uma música que deixa espaço para respirar.

Um estúdio feito pela própria banda

A história do Nothing Space Music começa, por isso, antes das oito faixas chegarem ao público. O trio procurou criar um ambiente onde pudesse trabalhar sem a pressão habitual de uma produção feita à distância ou entre viagens.

Essa ideia encaixa no som dos maya ongaku. As músicas desenvolvem-se lentamente, cruzando guitarras, sintetizadores, percussão e diferentes texturas. Não existe uma preocupação evidente em chegar rapidamente a um refrão ou a um ponto de impacto.

O resultado é um disco que pede atenção. Nothing Space Music aproxima-se mais de uma experiência de escuta do que de uma colecção de canções construídas para funcionar imediatamente.

A banda continua a trabalhar dentro de uma zona difícil de classificar. O folk psicadélico está presente, mas também aparecem elementos de electrónica, krautrock, música ambiente e outras referências que ajudam a explicar a identidade do grupo.

Porto e Lisboa em duas noites

A oportunidade para ouvir esta nova fase chega a Portugal em duas datas seguidas.

No dia 5 de outubro, os maya ongaku actuam no Lovers & Lollypops, no Porto, com início marcado para as 18h45. No dia seguinte, 6 de outubro, o trio apresenta-se na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, às 21h00.

A passagem pelas duas cidades coloca Portugal directamente no percurso europeu da banda durante a nova fase de Nothing Space Music. Para quem acompanha a música independente japonesa ou as áreas mais experimentais da música contemporânea, são duas datas a ter em atenção.

A escolha de duas salas ligadas à música independente também combina com o percurso dos maya ongaku. Não se trata de uma banda construída à volta de uma fórmula fácil de vender. A proposta depende muito mais da atmosfera, da escuta e da relação criada entre músicos e público.

Uma banda que prefere criar o próprio caminho

Os maya ongaku começaram a ganhar maior atenção internacional com Approach to Anima, lançado em 2023, e continuaram a desenvolver a sua linguagem no trabalho seguinte. Com Nothing Space Music, essa procura parece ganhar outra dimensão.

O novo álbum parte de uma ideia aparentemente simples: criar espaço. Espaço físico, através do estúdio construído pelo grupo, mas também espaço dentro das próprias músicas.

É precisamente aí que a banda se torna interessante. Os maya ongaku não precisam de escolher entre o psicadelismo e a música ambiente, entre instrumentos acústicos e electrónica. Preferem deixar essas fronteiras abertas.

Em Portugal, essa proposta chega primeiro ao Porto e, 24 horas depois, a Lisboa. Duas noites consecutivas para uma banda que fez do espaço, do tempo e da escuta parte essencial da sua música.

Ficha

Artista: maya ongaku
Origem: Japão
Álbum: Nothing Space Music
Lançamento digital: 7 de agosto de 2026
Porto: 5 de outubro, Lovers & Lollypops
Lisboa: 6 de outubro, Galeria Zé dos Bois
Formação: Tsutomu Sonoda, Ryota Takano e Shoei Ikeda

 

 

Jorge Silva Medeiros

Jorge Silva Medeiros é técnico de som na RTP e fundador do Música Total, um dos projetos editoriais dedicados à música com maior longevidade em Portugal, dentro da plataformas. Ligado ao setor da comunicação e da música há mais de duas décadas, criou também a Rádio Atlântida e tem desenvolvido um trabalho contínuo na divulgação da música portuguesa, dos artistas emergentes e dos grandes eventos culturais, assim como produção de eventos.

Newsletter Semanal

RECEBE A
MÚSICA PRIMEIRO.

Curadoria semanal das melhores novidades musicais, entrevistas exclusivas e agenda de festivais — direto na tua caixa de entrada.

Subscreve gratuitamente

Ao subscrever aceitas os nossos Termos e Condições e Política de Privacidade. Podes cancelar em qualquer momento.