FOTO:© Pedro Sadio
Celebrar 20 anos é importante. Mas, no caso do BONS SONS 2026, talvez seja ainda mais significativo perceber como um festival consegue continuar fiel à ideia que lhe deu origem. Enquanto muitos eventos procuram crescer através de cartazes cada vez maiores, em Cem Soldos a evolução mede-se também pela forma como a aldeia recebe quem a visita.
A poucos dias da edição que decorre entre 6 e 9 de agosto, a organização apresentou várias novidades práticas e reforçou o seu Plano para a Diversidade. Não são anúncios pensados para fazer manchetes. São decisões que mostram como a experiência do público continua a ser tratada como parte integrante do festival.
A inclusão deixou de ser um discurso para passar à prática
O Plano para a Diversidade do BONS SONS não nasceu este ano. Tem vindo a crescer edição após edição e pretende garantir que qualquer pessoa possa viver o festival com o maior nível de autonomia possível.
Entre as medidas agora destacadas está a entrada gratuita para um acompanhante de pessoas com deficiência, mediante apresentação de atestado multiusos, bem como a possibilidade de esse acompanhante ficar gratuitamente no Glamping BONS SONS, desde que exista reserva antecipada.
Quem chega de automóvel encontra estacionamento prioritário junto à Entrada da Escola para veículos com cartão de estacionamento destinado a pessoas com mobilidade condicionada. A organização mantém igualmente casas de banho e balneários sem género, uma medida que pretende tornar o espaço mais confortável e inclusivo para diferentes públicos.
São pormenores que podem parecer discretos, mas que acabam por definir a forma como um festival é vivido.
Uma aldeia preparada para receber melhor
A requalificação dos espaços de Cem Soldos permitiu reduzir barreiras físicas e melhorar a circulação entre os vários palcos e zonas do recinto.
Nos palcos Lopes Graça, António Variações e Zeca Afonso existem plataformas que permitem a pessoas em cadeira de rodas assistir aos concertos em segurança, integradas no público e ao lado do seu grupo. Os palcos Lopes Graça, Zeca Afonso e Giacometti dispõem ainda de áreas prioritárias junto à frente de palco para pessoas com mobilidade condicionada.
O serviço de transfer entre Tomar, Cem Soldos e Paialvo também está adaptado, enquanto o Glamping disponibiliza tendas, balneários e instalações sanitárias acessíveis mediante reserva.
O plano contempla ainda outras necessidades. Pessoas neurodivergentes podem requisitar abafadores de som no Posto de Informação, através de aluguer ou compra, e várias conversas da programação contam com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, incluindo sessões promovidas pelo Gerador, pela Fundação José Saramago e a conversa entre Luca Argel e a sexóloga Tânia Graça.
Mais do que cumprir requisitos, o festival procura garantir que a participação cultural esteja realmente ao alcance de todos.
Cashless muda para evitar filas no final do festival
As novidades chegam também ao sistema de pagamentos.
O BONS SONS mantém o modelo totalmente cashless, utilizando pulseiras RFID para todas as compras realizadas dentro da aldeia. A grande alteração deste ano passa pela possibilidade de carregar saldo antecipadamente.
A partir de 3 de agosto, cada visitante pode associar o passe ou bilhete diário à plataforma online e efetuar o carregamento antes mesmo de chegar ao recinto. Quando levantar a pulseira, o saldo estará automaticamente disponível.
Também a devolução do dinheiro não utilizado deixa de ser feita presencialmente. O processo passa a decorrer exclusivamente através da plataforma online do festival, entre 10 de agosto, às 11h00, e 17 de agosto, às 11h00, com um custo de 1,50 euros, correspondente às despesas operacionais do serviço.
Quem preferir pode continuar a doar o saldo remanescente para apoiar iniciativas sociais e culturais desenvolvidas pela comunidade de Cem Soldos.
Vinte anos depois, continua a existir um festival diferente
Ao longo das últimas duas décadas, o BONS SONS conquistou um lugar muito próprio no panorama dos festivais portugueses. Não apenas pela aposta consistente na música nacional, mas pela forma como transformou uma aldeia inteira num espaço de encontro entre artistas, habitantes e público.
As novidades agora anunciadas não alteram essa identidade. Pelo contrário, reforçam-na. Num momento em que muitos festivais competem pela dimensão dos palcos ou pelos grandes nomes internacionais, o BONS SONS continua a lembrar que também é possível crescer através da atenção aos detalhes, da proximidade e do cuidado com quem entra na aldeia.
É essa combinação entre comunidade, cultura e hospitalidade que faz com que, vinte anos depois, Cem Soldos continue a ser muito mais do que o local onde acontece um festival. Continua a ser a prova de que a música também pode construir uma forma diferente de estar e de receber.
