Ainda estás a pensar no festival deste verão? Então talvez esteja na altura de decidir.
Entre 19 e 22 de agosto, a Praia Formosa, em Santa Maria, volta a receber a Maré de Agosto, um festival que continua a provar que uma grande experiência não se mede apenas pelo tamanho do cartaz, mas pelas memórias que consegue criar.
Na Maré, a festa começa antes do primeiro concerto. Começa no barco, onde os primeiros reencontros acontecem ainda em alto-mar e as conversas giram à volta dos artistas que ninguém quer perder. Começa também no avião, quando o terminal se enche de mochilas, tendas, guitarras e rostos conhecidos. Basta embarcar rumo a Santa Maria para perceber que já fazes parte do festival.
Ao longo da vida houve dois festivais que me marcaram verdadeiramente: o histórico Vilar de Mouros e a Maré de Agosto. São festivais diferentes, mas partilham uma qualidade rara. Nunca perderam a identidade. Nunca sentiram necessidade de seguir modas. Mantiveram-se fiéis ao que são e é precisamente isso que faz com que milhares de pessoas regressem todos os anos.
Quem nunca passou quatro dias na Praia Formosa dificilmente consegue imaginar o ambiente que ali se vive. Não é apenas o cartaz, embora o deste ano seja, na minha opinião, um dos mais fortes de sempre da Maré e um dos mais completos dos festivais açorianos. É a liberdade de acordar junto ao mar, passar horas na praia, descobrir novas bandas, reencontrar amigos e terminar cada noite com a sensação de que o tempo parou.
Também já vivi edições de calor intenso e outras marcadas pela chuva. Nunca foi isso que definiu o festival. Na Maré aprende-se rapidamente que o espírito do evento é maior do que o estado do tempo. A música, a paisagem e as pessoas acabam sempre por vencer.
A organização merece igualmente reconhecimento. O trabalho de promoção e divulgação desta edição foi feito com inteligência, consistência e respeito pela história do festival. Não procura apenas vender bilhetes. Procura reforçar a ligação com quem faz da Maré uma tradição e despertar a curiosidade de quem ainda nunca viveu estes quatro dias em Santa Maria.
Com o cartaz completo e a montagem do recinto na reta final, falta apenas uma peça para que tudo fique completo: tu.
