Jade junta-se a Hans Zimmer numa viagem musical ao fundo do oceano, Slayyyter transforma a provocação em espetáculo e girl in red regressa com uma canção sobre sentimentos difíceis de arrumar. Pelo meio, VSP AST apresenta «I’m Sorry», George Michael leva-nos de volta a Paris, em 1988, e Britney Spears recupera uma gravação que ficou por editar durante 25 anos.
Seis temas, seis universos e diferentes razões para carregar no play. Entre novidades da pop alternativa e registos que recuperam outras épocas, esta seleção percorre caminhos que vão da experimentação à memória musical.
Não é preciso encontrar uma ligação entre todas estas canções. Basta perceber o que cada uma traz de interessante.
VSP AST transforma «I’m Sorry» numa nova etapa
Um pedido de desculpa pode ser o início de uma conversa ou a confirmação de que alguma coisa já mudou. VSP AST escolhe «I’m Sorry» para continuar a desenvolver um percurso musical que cruza a energia do rock com a pop e a eletrónica.
O músico português tem construído uma identidade própria, sem ficar preso a uma única linguagem. O novo tema surge como mais um passo nessa exploração, com um videoclipe que acrescenta uma dimensão visual à proposta.
O título sugere arrependimento, mas a curiosidade está em perceber o que existe para lá dessas duas palavras e como a música lhe dá forma.
Jade e Hans Zimmer mergulham em «Into the Deep (Seas Cry)»
A colaboração entre Jade e Hans Zimmer reúne dois universos que raramente se encontram desta forma. A cantora, ligada à pop contemporânea, junta-se ao compositor conhecido pelo seu trabalho para cinema numa composição criada para o universo de Blue Planet III.
«Into the Deep (Seas Cry)» parte de um cenário muito particular: o oceano, com a sua dimensão, os seus mistérios e uma vida que continua a escapar ao nosso olhar. Neste contexto, a música não serve apenas para acompanhar imagens. Tem também a responsabilidade de criar uma relação emocional com aquilo que vemos.
O encontro entre a voz de Jade e a abordagem cinematográfica de Zimmer torna este lançamento especialmente interessante. A questão está em perceber como uma canção pop encontra espaço num ambiente habitualmente associado às grandes bandas sonoras.
Slayyyter não tem medo do exagero
Em «I Think He’s Got a Girl», Slayyyter parte de uma situação amorosa que dispensa grandes explicações. Existe alguém, existe uma suspeita e existe a possibilidade de as coisas não serem exatamente aquilo que parecem.
A artista pega nessa premissa e leva-a para o seu território habitual, onde a pop convive com o exagero, o humor e uma estética visual assumidamente provocadora. O videoclipe faz parte dessa identidade. Não está ali apenas para ilustrar a letra, mas para ampliar o universo da canção.
Slayyyter conhece bem as possibilidades de uma pop que não precisa de escolher entre ser eficaz e ser estranha. É precisamente nesse espaço que a sua música encontra personalidade.
girl in red encontra outra cor em «blue»
O título «blue» é curto, mas abre espaço para diferentes interpretações. Pode sugerir tristeza, distância ou aquele momento em que uma relação começa a mudar sem que ninguém saiba exatamente o que fazer a seguir.
girl in red, projeto da artista norueguesa Marie Ulven, regressa com um tema que volta a colocar as emoções no centro da sua música. A sua escrita tem encontrado força na capacidade de transformar experiências pessoais em canções nas quais outros ouvintes reconhecem fragmentos das suas próprias vidas.
O videoclipe acrescenta uma narrativa visual à música, acompanhando uma relação através do tempo e das memórias que ficam. Não é apenas uma história sobre o fim de alguma coisa. É também sobre aquilo que permanece depois de a relação deixar de ser a mesma.
George Michael em Paris: uma canção que não envelhece
Os primeiros segundos de «Careless Whisper» são suficientes para reconhecer uma das canções mais emblemáticas da pop dos anos 80. O saxofone, a melodia e a voz de George Michael fazem parte de uma memória musical que continua presente muito depois da época em que o tema chegou às rádios.
A gravação ao vivo em Paris, em 1988, permite regressar a um período importante da carreira do cantor britânico. Depois do sucesso alcançado com os Wham!, George Michael afirmava progressivamente a sua identidade a solo, mostrando que havia muito mais para descobrir para lá dos êxitos que o tinham tornado conhecido.
Ouvir esta interpretação é também recordar uma época em que a presença em palco tinha um peso particular na relação entre os artistas e o público.
Algumas canções sobrevivem à passagem do tempo porque continuam a encontrar ouvintes. Outras porque nunca deixaram verdadeiramente de fazer parte da nossa vida. «Careless Whisper» pertence às duas categorias.
Britney Spears recupera «She’ll Never Be Me»
Uma canção que ficou fora de um álbum pode guardar mais do que uma curiosidade para colecionadores. Pode revelar uma ideia que não encontrou lugar na edição final, uma direção que acabou abandonada ou uma peça que ajuda a compreender melhor o percurso de um artista.
«She’ll Never Be Me», de Britney Spears, desperta precisamente esse interesse. Associado às sessões do álbum Britney, editado em 2001, o tema recupera material de uma fase em que a cantora procurava consolidar uma identidade artística para lá da imagem que a tinha acompanhado no início da carreira.
A canção regressa agora à conversa num momento em que o seu catálogo continua a ser revisitado por fãs de diferentes gerações. Para quem acompanhou a pop do início do século XXI, existe também a curiosidade de ouvir uma gravação que permaneceu fora do alinhamento original.
O passado da pop não está fechado. Por vezes, basta uma canção esquecida para acrescentar uma nova perspetiva a uma história que julgávamos conhecer.
Seis canções, sem fronteiras entre passado e presente
A música não avança toda ao mesmo ritmo. Enquanto VSP AST e Slayyyter exploram diferentes possibilidades da pop contemporânea, Jade e Hans Zimmer aproximam a canção do universo cinematográfico. girl in red regressa à intimidade das relações, George Michael lembra-nos a força de uma interpretação ao vivo e Britney Spears abre uma porta para o seu arquivo musical.
O interesse desta seleção está na diversidade dos caminhos. Não existe uma fórmula comum nem uma razão única para ouvir estes temas.
Às vezes, uma canção nova fica connosco durante dias. Noutras ocasiões, é uma gravação antiga que nos faz parar. O importante é não deixar que a próxima novidade nos impeça de voltar à anterior.
